Humberto de Campos

''A Terra é tão inçada de abismos que, às vezes, procurando olhar em excesso pelos que nos acompanham, costumamos cair neles''

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

Momento



A maioria dos cristãos vai adotando, em quase todas as atividades, a lei do menor esforço. Muitos esperam pela visita pessoal de Jesus no conforto de poltronas acolhedoras; outros fazem preces por intermédio de discos; há os que desejam comprar a tranqüilidade celeste com as epístolas generosas, como também os que sem nenhum trabalho em si próprios aguardam intervenções sobrenaturais dos Mensageiros do Cristo pelo bem-estar da própria vida.

Não nos inludamos.

(...)


Ninguém resgata uma dívida unicamente por louvar o credor.




Cada dia, emitimos sugestões para o bem ou para o mal.

O que colocamos na balança da vida depende de nós.


Achamo-nos magneticamente associados uns aos outros.

Ações e reações caracterizam-nos a marcha.

É preciso saber, portanto, que espécie de forças projetamos naqueles que nos cercam. Nossa conduta é um livro aberto.



A calma e a resignação hauridas da maneira de considerar a vida terrestre e da confiança no futuro, proporcionam ao Espírito uma serenidade que é o melhor preservativo contra a loucura e o suicídio.






Ninguém está órfão de oportunidade.



Em toda parte, há serviço que prestar e o melhor que fazer.



O encargo vem à nossa esfera de ação por efeito da Providência Divina, mas a valorização do encargo parte de nós.



Mais dia, menos dia, todos sofrem. Há, contudo, quem sofra com rebeldia, com revolta, com desânimo ou com desespero, perdendo o valor da prova em que se vê.


Momentos existem nos quais é impossível desconhecer as nossas falhas; entretanto, tenhamos a devida prudência de situar o mal no passado. Teremos tido comportamento menos feliz até ontem.

Hoje, porém, é nosso dia.



Todos necessitamos de felicidade e paz; entretanto, felicidade e paz solicitam suor e renovação, tanto quanto o progresso e a vida pedem trabalho harmonioso e bênção de Sol.



Não gritemos “eu quero...” mas afirmemos em nossa condição de espíritos imperfeitos: “se posso querer...”



O ciúme é o amor vestido de espinhos dilacerantes.





Mantém-te em paz. É possível que todos te guerreiem, gratuitamente, hostilizando-te a maneira de viver, no entanto, podes avançar em teu caminho, sem guerrear a ninguém.



Assume contigo mesmo o compromisso de evitar a irritação.



Aprendamos a compreender cada criatura

no problema em que se encontre.



Viver de qualquer modo é de todos,

mas viver em paz consigo mesmo é serviço de poucos.


Guarda a bondade e a compreensão no trato com todos os companheiros e situações que te cercam.


Compreendamo-nos no trabalho como sendo uma só família na intimidade do lar, esquecendo-nos pelo rendimento da obra.


Ainda que não possas marchar livremente com o teu fardo, avança com ele para frente, mesmo que seja um milímetro por dia.

Tolera o fardo de tuas obrigações valorosamente e caminha.

Do acervo de pedra bruta, nasce o ouro puro.

Do cascalho pesado emerge o diamante.


Cada qual tolera a carga que lhe é própria.

Fardos existem de todos os tamanhos e de todos os feitios.


Uma fonte humilde garante o oásis na terra seca e apenas uma lâmpada acesa vence a força das trevas.


Todos nós carecemos de alívio na hora da angústia ou de apoio em momentos difíceis e, para isso, contamos receber daqueles que nos rodeiam a frase compreensiva e conveniente. Sejamos, também, compreensivos para com todos.


Caminhar para a frente, desculpando-nos com entendimento mútuo quanto às próprias fraquezas, sem melindres e sem queixas que apenas redundam em complicações inúteis e perda de tempo.

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

ATÉ O FIM




Já sentiu você o prazer de ajudar alguém, sem interesse secundário, de modo absoluto, do início ao fim da necessidade, presenciando um sucesso ou uma recuperação?


Por exemplo, encontrar um enfermo, sem possibilidades de tratamento, endereçado ao fracasso, e providenciar-lhe a melhoria, simplesmente em troca da satisfação de vê-lo restituído às oportunidades da existência?

Ressuma deste fato bem-estar sem paralelo em qualquer outra ação humana, por exprimir-se em regozijo íntimo inviolável.

Você já pensou nos resultados incalculáveis de se proteger uma criança impelida ao abandono, desde as primeiras iniciações da vida até a obtenção de um título profissional que lhe outorgue liberdade e respeito a si mesma, sem intuito de cobrança?

Já refletiu na importância inavaliável de um serviço sacrificial sustentado em benefício de outrem, do princípio ao remate, sem pedir ou esperar a admiração de quem quer que seja?

Só aqueles que já passaram por essas realizações conseguem julgar a pureza da euforia e a originalidade da emoção que nos dominam, ao cumprirmos integralmente os deveres assistenciais do começo ao acabamento, sem a mínima idéia de compensação.

Ocasiões não faltam.

Ombreamos diariamente multidões de doentes, desabrigados, famintos, nus, obsessos e desorientados.

Você pode até mesmo escolher a empreitada que pretenda chamar para si.

Há um encanto particular em sermos protagonistas ou colaboradores efetivos das vitórias do próximo. Em muitas ocasiões, não há melhor estimulante à vida e ao trabalho.

Para legiões de criaturas essa obra de benemerência completa e oculta é a fórmula para restaurarem a confiança em Deus, cujas leis de amor funcionam pela marca do anonimato, em bases impessoais.

Nessas empresas do bem por dedicação ao bem, almas inúmeras encontram a cura dos males, o esquecimento de sombras, a significação da utilidade pessoal e a equação ideal do contentamento de viver.

Quando inconformidade ou monotonia lhe desfigurem a paisagem interior, dinamize o seu poder de auxiliar.

Semeie sacrifícios e colha sorrisos.

Dê suas posses e receba a alegria que não tem preço.

Tome a iniciativa de oferecer a sua hora e outros virão espontaneamente trazer dias e dias de apoio ao trabalho em que você se empenhou.

Experimente. Desencadeie a causa do bem e o bem responderá mecanicamente com os seus admiráveis efeitos.

PROVAÇÕES DE SURPRESA





Inquietações na Terra existem muitas.

Temos as que se demoram junto de nós, ao modo de vizinhos de muito tempo, nos desgostos de parentes e amigos, cujas dores nos pertencem de perto.

Encontramos as que nos povoam o corpo, na categoria de enfermidades crônicas, quais inquilinos indesejáveis.

Assimilamos aflições de tipos diversos, como sejam as declaradas e as imanifestas, as injustificáveis e as imaginárias, cujo tamanho e propagação dependem sempre de nós.

Há, porém, certa modalidade com que raramente contamos. São aquelas que nascem do imprevisto.

Deflagraram, por vezes, quando nos acreditávamos em segurança absoluta.

Caem à feição de raio fulminativo retalhando emoções ou desajustando pensamentos.

São as notícias infaustas:

- os golpes morais que nos são desferidos, não raro, involuntariamente, pelos que mais amamos;

- os desastres de conseqüências indefiníveis;

- os males súbitos que nos impelem para as raias das grandes renovações.

Não podemos esquecer estas visitas que nos atingem o coração sem qualquer expectativa de nossa parte.

Compreendamos que, em freqüentes episódios da existência, estamos na condição de aluno que estuda semanas e meses e até mesmo anos inteiros, a fim de revelar a precisa habilitação num exame de ligeiros instantes.

Entendamos que, numa hora de crise, não são o choro e nem a emotividade as posições adequadas, e sim a calma e o raciocínio lógico, para que possamos deter a incursão da sombra.

Para isso, entesouremos serenidade. Serenidade que nos sustente e nos ajude a sustentar os outros.

O imperativo de oração e vigilância não se reporta somente às impulsões ao vício e a criminalidade, mas também aos arrastamentos, ao desequilíbrio e à loucura a que estamos sujeitos quando não nos preparamos para suportar as provações de surpresa, sejam em moldes de angústia ante os desafios do mal ou em forma de sofrimento para a garantia do bem.



NA JORNADA EVOLUTIVA



Dos quatro cantos da Terra diariamente partem viajores humanos, aos milhares, demandando o pais da Morte. Vão-se de ilustres centros da cultura européia, de tumultuárias cidades americanas, de velhos círculos asiáticos, de áspero climas africanos. Procedem das metrópoles, das vilas, dos campos...


Raros viveram nos montes da sublimação, vinculados aos deveres nobilitantes. A maioria constitui-se de menores de espírito, em luta pela outorga de títulos que lhes exaltem a personalidade. A maioria constitui-se de menores de espírito, em luta pela outorga de títulos que lhes exaltem a personalidade. Não chegaram a ser homens completos. Atravessaram o "maré magnum" da humanidade em continua experimentação. Muita vez, acomodaram-se com os vícios de toda a sorte, demorando voluntariamente nos trilhos da insensatez. Apesar disso, porém, quase sempre se atribuíam a indébita condição de "eleitos da Providência" ;e, cristalizados em tal suposição, aplicavam a justiça ao próximo, sem se compenetrarem das próprias faltas, esperando um paraíso de graças para si e um inferno de intérmino tormento para os outros. Quando perdidos nos intrincados meandros do materialismo cego, fiavam, sem justificativa, que no túmulo se lhes encerraria a memória; e, se filiados a escolas religiosas, raros excetuados, contavam, levianos e inconseqüentes, com privilégios que jamais nada fizeram por merecer.

Onde albergar a estranha e infinita caravana? Como designar a mesma estação de destino a viajantes de cultura, posição e bagagem tão diversas?

Perante a Suprema Justiça, o malgache e o inglês fruem dos mesmos direitos. Provavelmente, porém, estarão distanciados entre si, pela conduta individual, diante da Lei Divina, que distingue, invariavelmente, a virtude e o crime, o trabalho e a ociosidade, a verdade e a simulação, a boa vontade e a indiferença. Da continua peregrinação do sepulcro, participam, todavia, santos e malfeitores, homens diligentes e homens preguiçosos.

Como avaliar por bitola única recipientes heterogêneos? Considerando, porém,nossa origem comum, não somos todos filhos do mesmo Pai? E por que motivo fulminar com inapelável condenação os delinqüentes, se o dicionário divino inscreve a letras de fogo as palavras "regeneração", "amor" e "misericórdia"? determinaria o Senhor o cultivo compulsório da esperança entre as criaturas, ao passo que Ele mesmo, de Sua parte, desesperaria? Glorificaria a boa vontade, entre os homens, e conservar-se-ia no cárcere escuro da negação? O selvagem que haja eliminado os semelhantes, a flechadas, teria recebido no mundo as mesmas oportunidades de aprender que felicitam o europeu supercivilizado, que extermina o próximo à metralhadora? Estariam ambos preparados ao ingresso definitivo no paraíso de bem-aventurança infindável tão somente pelo batismo simbólico ou graças a tardio arrependimento no leito de morte?

A lógica e o bom-senso nem sempre se compadecem com argumentos teológicos imutáveis. Ávida nunca interrompe atividades naturais, por imposição de dogmas estatuídos de artifício. E, se mera obra de arte humana, cujo termo é a bolorenta placidez dos museus, exige a paciência de anos para ser empreendida e realizada, que dizer da obra sublime do aperfeiçoamento da alma, destinada a glórias imarcescíveis?

Vários companheiros de ideal estranham a cooperação de André Luiz, que nos tece informações sobre alguns setores das esferas mais próximas ao comum dos mortais.

Iludidos na teoria do menor esforço, inexistente nos círculos elevados, contavam com preeminência pessoal, sem nenhum testemunho de serviço e distantes do trabalho digno, em um céu de gozos contemplativos, exuberante de conforto melifico. Prefeririam a despreocupação das galerias, em beatitude permanente, onde a grandeza divina se limitaria a prodigiosos espetáculos, cujos números mais surpreendentes estariam a cargo dos Espíritos Superiores, convertidos em jograis de vestidura brilhante.

A missão de André Luiz é, porém, a de revelar os tesouros de que somos herdeiros felizes na Eternidade, riquezas imperecíveis, em cuja posse jamais entraremos sem a indispensável aquisição de Sabedoria e de Amor.

Para isto, não lidamos em milagrosos laboratórios de felicidade improvisada, onde se adquiram dotes de vil preço e ordinárias asas de cera. Somos filhos de Deus, em crescimento. Seja nos campos de forças condensadas, quais os da luta física, seja nas esferas de energias sutis, quais os da luta física, seja nas esferas de energias sutis, quais as do plano superior,os ascendentes que nos presidem os destinos são de ordem evolutiva, para e simples, com indefectível justiça a seguir-nos de perto, à claridade gloriosa e compassiva do Divino Amor.

A morte a ninguém propiciará passaporte gratuito para a ventura celeste. Nunca promoverá compulsoriamente homens a anjos. Cada criatura transporá essa aduana da eternidade com a exclusiva bagagem do que houver semeado, e aprenderá que a ordem e a hierarquia, a paz do trabalho edificante, são característicos imutáveis da Lei, em toda parte.

Ninguém, depois do sepulcro, gozará de um descanso a que não tenha jus, porque "o Reino do Senhor não vem com aparências externas".

Os companheiros que compreendem, na experiência humana, a escada sublime, cujos degraus há que vencer a preço de suor, com o proveito das bênçãos celestiais, dentro da prática incessante do bem, não se surpreenderão com as narrativas do mensageiro interessado no servir por amor. Sabem eles que não teriam recebido o bom da vida pra matar o tempo, nem a dádiva da fé para confundir os semelhantes, absorvidos, que se acham, na execução dos Divinos Desígnios. Todavia, aos crentes do favoritismo, presos à teia de velhas ilusões, ainda quando se apresentem com os mais respeitáveis títulos, as afirmativas do emissário fraternal provocarão descontentamento e perplexidade.

É natural, porém: cada lavrador respira o ar do campo que escolheu.

Para todos, contudo, exoramos a bênção do Eterno: tanto para eles, quanto para nós.


André Luiz / Emmunel .

André Luiz



"Felicidade é o fruto que se colhe da felicidade que se semeia"


segunda-feira, 18 de outubro de 2010

CRUZES



Emmanuel


Cada alma, na escola da Terra, sob a abençoada cruz da carne, conduz consigo a cruz invisível da prova, indispensável à elevação a que aspira.

Aqui, vemos a cruz do ouro, impondo aos companheiros que a transportam, o círculo do medo e da inquietação.

Além, observamos a cruz do poder, exigindo de quantos lhe detém, a força de pesados tributos de responsabilidade e sofrimento.

Acolá, notamos a cruz da beleza física, atraindo apelos inferiores.

Mais além, contemplamos a cruz da enfermidade, situando esperanças e sonhos no labirinto da indagação e do desalento.

Não longe, vemos a cruz da carência material, induzindo muita gente à inércia e à lamentação.

Agora, observamos junto de nós a cruz da injustiça aparente, tentando a criatura à reivindicações que a projetam em maiores dificuldades.

Mais tarde, encontraremos a cruz das paixões, vergando ombros sensíveis e afetuosos, reclamando-lhes o amargo imposto do desequilíbrio e das lágrimas.

Cada criatura passa entre os homens algemada ao posto de graves obrigações, alusivas ao progresso que lhe cabe alcançar.

O santo traz a cruz do sacrifício.

O delinqüente carrega a cruz do remorso.

O melhor suporta o madeiro da liderança.

O mau tolera o lenho da expiação regenerativa.

O berçário é um viveiro de cruzes que se desenvolvem, pouco a pouco, no curso do tempo, definindo-se cada qual delas, segundo as necessidades de cada um.

Naturalmente, não viverás sem o instrumento de dor e luta que a existência terrestre te deu a transportar, mas se colocas o madeiro do próprio aperfeiçoamento na direção do Cristo, seguindo após Ele, no Calvário da Ressurreição, com amor e humildade, renúncia e perdão, guarda a certeza de que os braços de tua cruz se converterão na morte, em asas de espiritualidade, arrebatando-te do vale pantanoso da Terra para os topos resplendentes do Infinito.



Do Livro “Abrigo”, de Francisco Cândido Xavier, pelo Espírito Emmanuel


Receita para fazer do mundo à tua volta o teu inimigo

Guarda segredos – uma vida de segredos dá energia à sombra humana e aumenta o seu poder sobre a mente. Algumas das formas em que guardas segredos: negação, decepção deliberada, medo de te expores, condicionamentos provocados por uma família disfuncional, querer agradar compulsivamente os outros, não falar dos teus sentimentos.

Alimenta sentimentos de culpa e vergonha – todos somos falíveis. Ninguém é perfeito. Mas se tu tens vergonha dos teus erros e sentes culpa em relação ás tuas imperfeições, a sombra em ti ganha poder.

Aponta o dedo aos outros e a ti mesmo – se não encontrares uma forma de te libertar dos sentimentos de culpa e vergonha é muito fácil decidir que tu, ou os outros, mereces o que a vida te dá. Julgar os outros e a ti mesmo é a culpa com uma máscara para disfarçar a dor do ego.

Encontra alguém a quem culpar – uma vez que decidas que a tua dor interior é um assunto moral, irá ser-te muito fácil encontrar alguém a quem condenas por ser inferior a ti de alguma forma.

Ignora as tuas fraquezas enquanto criticas os outros à tua volta – este é o processo da projecção, que muitas pessoas não compreendem muito bem. Sempre que estás com alguém e o que sentes são emoções negativas (ansiedade, nervosismo, irritação, desespero, raiva, medo, etc.) estás a projectar aspectos teus que há muito rejeitaste. Sempre que explicas uma situação como sendo um acto divino ou diabólico, estás a projectar. Quando afirmas que “os outros” são os maus e tu o “bom”, estás a projectar. Se acreditas que o problema são “os outros” estás a projectar o teu próprio medo em vez de o assumir.

Cria a ilusão da separação – a partir do momento que separas o mundo em “nós” contra “eles”, irás automaticamente identificar-te com os “bons” enquanto os outros são os “maus”. Este isolamento cria um sentimento de medo e suspeita, os quais são ingredientes essenciais para o crescimento da sombra.

Luta para manter o mal à distância – este último ingrediente é o necessário para acreditares que a maldade está por toda a parte. O que acontece em realidade é que tu, enquanto criador de toda esta ilusão, acreditas na ilusão que criaste. E assim a tua sombra ganha o poder suficiente para comandar a tua vida.

Este processo é uma verdadeira espiral para baixo. Começamos por acreditar que temos que guardar segredos (desde o facto de alimentar um ódio para com o vizinho, até visitar sites pornográficos, todos têm segredos dos quais se envergonham). Estes segredos tornam-se numa fonte de vergonha e culpa. Entra em acção a auto-critica. Aqui torna-se muito difícil viver com quem somos, e então procuramos alguém a quem culpar. Este processo irá conduzir-nos à desilusão, isolamento e negação. Quando por fim deres por ti a lutar contra o pecado e a maldade, perdeste já há muito tempo a noção do facto básico que te salvaria: entraste neste processo de livre vontade ao fazer escolhas bastante simples.

Para escapar a tudo isto só tens que fazer escolhas opostas ás iniciais:

1. Pára de projectar;

2. Aceita Aquilo Que É e Deixa Partir;

3. Desiste de te julgar e julgar os outros;

4. Recria o teu corpo emocional.

A parte mais difícil é saber quando estamos a projectar. Algumas pistas:

Atitude de superioridade – afirmações que dizem que és melhor que os outros. Acreditar que a tua opinião é a única válida. Comparar-te com outros que estão na vida em pior situação que tu;

Sentimento de injustiça – queixares-te das coisas “más” que apenas te acontecem a ti. Sentir que não mereces aquilo que alguém disse de ti. Falar mal de alguém, segundo a tua perspectiva, e que magoou outros;

Arrogância – sentir-te tão acima de alguém que nem vale a pena pensar nessa pessoa. Irritar-te com a presença de outra pessoa;

Necessidade de te defenderes – acreditas que os outros te querem atacar. Ignoras o que outros dizem. Não consegues ouvir o que é dito, preferindo ouvir aquilo que não é dito, lendo nas entrelinhas;

Culpa – a atitude de “eu não fiz nada, foi-me feito.”Apontar o dedo e responsabilizar outros pela tua vida;

Colocar outros num pedestal – aceitar cada palavra proferida por um superior hierárquico como sendo a palavra única e verdadeira. Admirar alguém ao ponto de não conseguir ver os seus defeitos e apenas virtudes;

Preconceito – quando acreditas, por exemplo, que “os ciganos são todos iguais” ou “os árabes são perigosos”. Quando tens medo dos negros porque podem roubar-te;

Inveja – quando na tua mente passam pensamentos que dizem que o teu companheiro anda a trair-te. Ris-te quando alguém tropeça. Cobiças o emprego de um amigo;

Paranóia – ao acreditares em teorias de conspiração. “Eles andam aí”!

Quando te deparas com uma destas atitudes podes ter a certeza que há um sentimento inconsciente escondido na sombra e o qual não queres enfrentar. Deixo aqui alguns exemplos:

Superioridade – disfarça o sentimento que tens de que és um falhado ou de que outros te rejeitariam se soubessem quem tu és de verdade;

Injustiça – disfarça o sentimento de pecado, ou a sensação que és sempre tu o culpado;

Arrogância – disfarça a raiva contida, e por detrás dessa raiva esconde-se uma dor profunda;

Estar na defesa – disfarça o sentimento de que não mereces, de que és fraco. A menos que te defendas dos outros, irás atacar-te a ti mesmo;

Culpa – disfarça o sentimento de que estás em falta para contigo e deverias ter vergonha por isso;

Colocar alguém num pedestal – disfarça o sentimento que és fraco, uma criança desamparada que precisa de protecção e segurança;

Preconceito – disfarça o sentimento de inferioridade e merecer ser rejeitado;

Inveja – disfarça os teus impulsos para tudo o que é proibido ou mal visto pela sociedade, ou a sensação de uma sexualidade doentia;

Paranóia – disfarça uma ansiedade profunda.

Krishnamurti disse algo de intemporal e em que acredito profundamente: “Tu não estás no mundo, o mundo está em ti.”

Por este motivo é que faço este trabalho da sombra humana. Em cada seminário em que alguém consegue curar as suas feridas e abraçar a sua sombra eu sei que um pedaço de quem eu sou foi curado. Não há um “tu” e um “eu”. Há um “nós”. Se num seminário vejo alguém arrogante tenho que me perguntar “de que maneira sou arrogante”?

Escrever num caderno tudo o que criticamos nos outros e nos afecta e descobrir depois de que maneira somos iguais é o primeiro passo para sarar as feridas da nossa alma.

TESTE

Cornélio Pires


Suporta sem desespero

A amargura que te invade;

Marujo só se revela

Na hora da tempestade.




10 de fevereiro de 1996

domingo, 17 de outubro de 2010



Chico Xavier costumava ter em cima de sua cama uma placa escrita: ISSO TAMBÉM PASSA! Então perguntaram a ele o porquê disso... Ele disse que era para que quando estivesse passando por momentos ruins, se lembrar de que eles iriam embora, que iriam passar, e que ele estava vivendo isso por algum motivo. Mas essa placa também era para lembrá-lo de que quando estivesse muito feliz, não deveria deixar tudo para trás e se deixar levar, porque esses momentos também iriam passar e momentos difíceis viriam novamente. É exatamente disso que a vida é feita, momentos. Momentos que TEMOS que passar, sendo bons ou não, para o nosso próprio aprendizado. Nunca esquecendo do mais importante:

NADA NESSA VIDA É POR ACASO.

Absolutamente nada. Por isso temos que nos preocupar em fazer a nossa parte, da melhor forma possível.. A vida nem sempre segue o nosso querer,
Mas ela..

É PERFEITA NAQUILO QUE TEM QUE SER !


Chico Xavier

sábado, 16 de outubro de 2010

O CONSELHEIRO

Cornélio Pires



Em toda e qualquer questão

De família ou de dinheiro,

O silêncio calmo e simples

É o mais hábil conselheiro.


29 de janeiro de 1996

Lei de Thelema

Faze o que tu queres há de ser toda a Lei

O princípio Thelemico está dedicado aos altos propósitos de segurança da Liberdade do Indivíduo e de seu crescimento em Luz, Sabedoria, Compreensão, Conhecimento e Poder; mediante Beleza, Coragem e Sapiência;

A lei de Thelema está encravada no Livro da Lei, recebido por Aleister Crowley em 1904, e com este, uma mensagem de revolução do pensamento humano, da cultura e religião baseados no simples axioma: "Faze o que tu queres há de ser toda a Lei - Amor é a lei, amor sob vontade". Essa Lei, resumida na palavra Thelema, não é para ser interpretada como uma licença para satisfazer cada capricho vivido, porém antes um mandato a descobrir a sua única e Verdadeira Vontade e persegui-la; deixando outros fazerem o mesmo em seus únicos e próprios e caminhos. "Todo homem e toda mulher é uma estrela".
Amor é a lei, amor sob vontade.

Paz, Tolerância, Verdade;
Saudações em Todos os Pontos do Triângulo;
Com Respeito à Ordem.
A Quem Interessar possa.

Thelema ("Télêma") é uma palavra Grega que significa "vontade" ou "intenção". Ela é também o nome da nova filosofia espiritual que foi erguida à quase cem anos e está agora tornando-se gradualmente estabilizada ao redor do mundo.

Uma das mais primeiras menções a esta filosofia ocorre no clássico Gargantua e Pantagruel escritos por Francois Rabelais em 1532. Um episódio desta aventura épica conta-nos da fundação da "Abadia de Thelema" como uma instituição para o cultivo das virtudes humanas, que Rabelais identificou como sendo por completa oposta às prevalecentes propriedades Cristãs do momento. A única regra da Abadia de Thelema era: "Faze o que tu queres há de ser toda a Lei". Essa tem sido uma das crenças básicas da filosofia Thelemica hoje.

Embora tocada sobre vários proeminentes e visionários pensadores nos cem anos seguintes, a semente de Thelema plantada por Rabelais eventualmente veio a dar frutos na primeira parte deste século, quando desenvolvida por um inglês chamado Aleister Crowley. Crowley foi um poeta, autor de vários livros, montanhista, magista e membro de uma sociedade oculta conhecida como Ordem Hermética da Aurora Dourada (Hermetic Order of Golden Dawn). Em 1904, enquanto viajava pelo Egito, com sua esposa Rose Kelly, Crowley tornou-se inexplicavelmente envolvido em uma série de eventos no qual ele clama inaugurar um novo aeon da evolução da humanidade. Esses fatos culminaram em Abril, quando Crowley entrou em um estado de transe e escreveu os três capítulos de 220 versos que veio a ser chamado O Livro da Lei (também conhecido como Liber AL e Liber Legis). Entre outras coisas, esse livro declarou: "A palavra da Lei é Thelema" e "Faze o que tu queres há de ser toda a Lei".

Crowley gastou o resto de sua vida desenvolvendo a filosofia de Thelema, tal como revelado pelo Livro da Lei. O resultado foi uma volumosa produção de comentários e trabalhos relacionados à magick, misticismo, yoga, qabalah e outros assuntos ocultistas. Virtualmente todos esses escritos levaram a influência de Thelema, tal como interpretada e entendida por Crowley em sua capacidade como profeta do Novo Aeon.

Uma teoria defende que cada capítulo do Livro da Lei está associado, em particular, com um aeon da evolução espiritual da humanidade. De acordo com isto, o Capítulo Um caracteriza o Aeon de Ísis, quando o arquétipo da divindade feminina era eminente. O Capítulo Dois relata o Aeon de Osíris, quando o arquétipo do deus morto tornou-se proeminente, e as palavras da religiões patriarcais foram estabelecidas. O Capítulo Três proclama o alvorecer de um novo aeon, o Aeon de Hórus, a criança de Ísis e Osíris. É neste novo aeon que a filosofia de Thelema será completamente desvelada à humanidade, e será estabelecida como o primeiro paradigma para a evolução espiritual das espécies.

Alguns desses elementos essenciais da crença em Thelema são:

"Todo homem e toda mulher é uma estrela."

O significado disto geralmente é tomado que cada um indivíduo é único e têm seus próprios caminhos em um universo espaçoso, onde eles podem mover-se livremente sem colisão.

"Faze o que tu queres há ser toda a Lei." e "tu não tens direito senão faze o que tu queres."

Muitos Thelemitas esperam que toda pessoa possui uma Verdadeira Vontade, uma simples motivação abrangente por suas existências. A Lei de Thelema determina que cada pessoa siga sua Verdadeira Vontade para alcançar satisfação na vida e liberdade das restrições da suas naturezas. Pois duas Verdadeiras Vontades não podem estar em real conflito (de acordo com "Todo homem e toda mulher é uma estrela"), essa Lei também proíbe alguém de interferir na Verdadeira Vontade de qualquer outra pessoa.

A noção de absoluta liberdade para um indivíduo seguir sua Verdadeira Vontade é uma das nutridas entre os Thelemitas. Essa filosofia também reconhece que a principal tarefa de um indivíduo que inicia o caminho de Thelema, é primeiro descobrir sua Verdadeira Vontade, através de métodos de auto-exploração tal como a magick. Além disso, toda Verdadeira Vontade é diferente, e por isso cada pessoa tem um único ponto de vista do universo, ninguém pode determinar a Verdadeira Vontade para outra pessoa. Cada pessoa deve chegar a descobrir por elas próprias.

É claro, com a ênfase sobre a liberdade e individualidade inerente em Thelema, as crenças de qualquer dado Thelemita são provavelmente para diferenciar daqueles de qualquer outro. No Comento anexado ao Livro da Lei é estabelecido que: "Todas as questões do Livro da Lei devem ser decididas apenas por apelo aos meus escritos, cada qual por si mesmo." Nisso, Thelema mal pode ser classificada como um "religião", uma vez que ele engloba uma vasta área de crenças, desde ateísmo ao politeísmo. O importante é que cada pessoa tem o direito de completar-se através de quaisquer credo e ações que são melhor adequados para eles (desde que eles não interfiram na vontade de outros), e somente eles mesmos estão qualificados para determinar quais são.

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Cérebro: Lado Esquerdo x Lado Direito

O cérebro é, portanto um sofisticado e complexo circuito bio-eletrônico, por onde trafegam idéias que recebe, interpreta, processa e despacha. Há uma simetria na forma do cérebro, conjugada com uma assimetria de suas funções. O hemisfério esquerdo controla o lado direito do corpo e dele recebe as sensações correspondentes, ao passo que o hemisfério direito do corpo controla o lado esquerdo. À exceção dos canhotos, a fala e o pensamento espacial constituem atribuições praticamente exclusivas do hemisfério esquerdo. Por outro lado, o direito é especializado em aspectos não verbais, tais como: aspectos imateriais, emoções, música e artes em geral, sendo-lhe pois indiferente que passem por esse ou aquele hemisfério.

O pensamento consciente costuma ser eminentemente verbal, portanto no domínio do lado esquerdo, enquanto o lado direito como não verbal sediaria os pensamentos inconscientes.

Curioso observar que nos canhotos todas as funcionalidades do cérebro estão invertidas. Mais ainda, se um dos hemisférios se danifica, o outro pode assumir tarefas para as quais, em princípio, não estaria programado.

A Alquimia da Mente

“A Alquimia da Mente” - Este é o título do livro do HCM, que tenta desvendar os mistérios da mente humana. Foi ao mesmo tempo difícil e recompensador a tarefa de estudar e resumir as conclusões do escritor. Nesse livro além de conceitos pertinentes à doutrina dos espíritos, é mostrado também pensamentos e idéias de grandes nomes de filósofos e pesquisadores da mente de uma forma em geral, desde Freud até Anne Besant.
O Cérebro e a Mente:

É muito comum se fazer confusão entre os conceitos de cérebro e mente, ou seja, serem tomados como sinônimos. Muitos querem atribuir ao cérebro a função de criador de pensamento/consciência, assim como o fígado produz bile, ou rim produz a urina, a questão é que a bile ou a urina são substâncias bioquímicas, enquanto o cérebro produz elementos subjetivos como idéias, emoções e inteligência. Mais de acordo com a doutrina dos espíritos é o conceito de que a mente seria a entidade inteligente que comanda o órgão material cérebro, semelhante ao motorista que dirige um grande caminhão. Poderíamos melhor comparar com o que na informática chamamos de hardware e software. Onde hardware seriam os circuitos eletrônicos digitais e o software seriam os programas que agirão nesse hardware. Dessa forma o hardware (matéria) seria o cérebro e o software (Inteligência), a mente. Ou seja, um é o agente, o outro é o instrumento.

NA OBRA DIVINA

Cornélio Pires



Deus criou a Humanidade,

Tudo fez e agiu tão bem

Que, mesmo em grupos unidos,

Ninguém conhece ninguém.





6 de fevereiro de 1996

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

A Memória

Agora voltemos, ao pensamento sereno de HCM:

Memória é faculdade de reter idéias, impressões e conhecimentos adquiridos anteriormente. Lembrança, reminiscência, recordação.” Embora o conceito de memória não seja tão complexo quanto o de ‘tempo’, oferece também dificuldades quanto ao seu perfeito entendimento. Vejamos o que disse o filósofo Platão, há mais de dois mil anos:

“Sendo a alma imortal e tendo nascido muitas vezes e tendo visto tudo quanto existe... conhece tudo; não é admiração alguma que ele tenha condições de trazer de volta à lembrança tudo quanto já soube acerca da virtude e de tudo. (Platão)”

Na verdade é isto que ocorre: nossos arquivos mentais (as nossas memórias) são exageradamente vastos, há neles um dossiê completo para cada uma de nossas vidas. Ali estão, perfeitamente arrumados, classificados e a disposição do ser humano; todas as suas vivências, do suspiro ou sorriso até as agonias da mais terrível tragédia.

Uma das funções mais importantes da mente é a de esquecer, não esquecer em definitivo, e sim guardar fora da memória consciente todo o material que não está sendo interessante reter no momento. Até mesmo nas memórias da vida presente algumas não conseguimos nos lembrar a não ser por meio da hipnose (ou outro método semelhante).

Existem dois tipos de patologias envolvendo a memória, uma onde a pessoa não consegue lembrar do que aconteceu minutos atrás, e outra onde a pessoa mantém uma espécie de memória fotográfica de tudo que se passou com ele durante toda a sua vida. Esta última aparentemente parece ser uma vantagem, mas na realidade torna-se uma maldição porque causa uma sobrecarga nas funções cerebrais e não consegue-se viver de uma maneira tranqüila e feliz, nem tão pouco utiliza outros aspectos não mnemônicos como a arte e outras inteligências, as chamadas inteligências emocionais.

Um problema real que não podemos ignorar é a possibilidade de se implantar memórias falsas na mente de uma pessoa, através da hipnose. Isso levou a que a polícia americana se precavesse quanto a utilização da hipnose (mesmo sem transe profundo) para a obtenção de confissões de crimes ou como identificação de suspeitos. Isso aconteceu devido a algumas condenações baseadas em lembranças recuperadas sob hipnose e que depois se mostraram falsas.

Por esse motivo, nas seções de RM devem ser evitadas ao máximo sugestões que levem o sujeito à criar personagens e fatos fictícios. Muito embora nos transes mais ou menos profundos o sujeito rejeita as sugestões que estão em desacordo com as lembranças e reafirmam o que realmente estão “vendo” ou sentindo. Em todo caso, não convém introduzir fatores de erros nas pesquisas de RM.

Conclusão

Diante desse quadro, nada há de surpreendente no fato de que se empregando a técnica apropriada seja possível não apenas sincronizar com aquela realidade da memória chamada da memória que chamamos passado, como a outra realidade do tempo que chamamos futuro. De alguma forma, portanto é possível encontrar nas estruturas do tempo brechas cósmicas por onde os sensores da mente aprofundam-se na intimidade de nossos registros inconscientes e reproduzem sons, imagens e emoções de um passado esquecido, mas não destruído, da mesma forma que a metodologia da hipnose pode rebuscar os registros da vida atual no âmbito da subconsciência e do inconsciente. O esquecimento é conveniente, contido por certos condicionamentos, mas não absoluto e total.

Tempo e Memória são dois conceitos fundamentais da técnica de regressão de memória, embora encontremos também referências de natureza espacial.
Alma corajosa não é aquela que se dispõe
a revidar golpe recebido e sim
aquela que sabe desculpar e esquecer.



Emmanuel

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Então, O futuro já existe?

Somos levados a admitir, conjugado com a teologia, e a metafísica a dizer que sim: “é evidente que vivemos num universo perfeitamente ordenado, criado e mantido por uma inteligência prodigiosa, inconcebível para nós. O futuro, portanto, não poderia conter surpresas e imprevisto para Deus, suprema inteligência criadora: seria o caos. E se Deus conhece essa realidade – Ela já existe.

SEDATIVA DA PAZ

Se há muitas rixas em torno

Do recanto que te asila,

O sedativo da paz

È a consciência tranqüila.


  13 de fevereiro de 1996

terça-feira, 12 de outubro de 2010

DIFÍCIL

Cornélio Pires


Em meio de controvérsias,

Falou um Sábio, sereno:

“É muito fácil ser grande;

Difícil é ser pequeno.”




Médium: Francisco Cândido Xavier

Livro: Degraus da vida

A Verdadeira História do Tempo

“A Memória e o Tempo”.

O Tempo

Que é o tempo? Pergunta aparentemente simples e de fácil resposta. Não nos iludamos, porém, com sua enganosa simplicidade. Todos conhecemos as noções usuais sobre o tempo como a sucessão de minutos, dias, meses, etc., Mas mergulhe um pouco mais fundo e ficará abismado ante a complexidade do fenômeno ‘tempo’. Santo Agostinho, confessou honestamente a sua dificuldade em definir o tempo, escreveu ele:

“Que é, então, o tempo? Se ninguém me perguntar, eu sei; se desejo explicá-lo a alguém que me pergunte, não sei mais.”

Aristóteles na sua Física, fez uma penetrante análise que ainda hoje impressiona. Para ele o agora é uma partícula indivisível de tempo encravada entre o passado e o futuro e que de certa forma, tem de pertencer um pouco a cada um deles, do contrário não poderia ligá-los.

“O ‘agora’ é o fim e o princípio do tempo, não ao mesmo tempo, contudo, mas o fim do que passou e o início do que virá”

No início do século XX, Albert Einstein revolucionou a Física com suas idéias sobre o universo. Uma de suas equações demonstra o que ficou conhecido como paradoxo dos gêmeos, onde em uma fictícia viagem espacial próximo à velocidade da luz, um dos gêmeos partiria na nave e o outro permaneceria na terra. Passado dez anos na terra a nave retornaria, sendo que o para o gêmeo que viajou teria se passados apenas alguns meses. HCM entende que o tempo é realidade que transcende nossas limitações espaciais:

A divisão presente, passado e futuro é meramente didática, destinada a reduzir a termos compreensíveis uma realidade que, sob muitos aspectos, ainda nos escapa, mas que parece ser contínua e simultânea. O presente é apenas uma linha móvel que arbitrariamente imaginamos, para separar em duas – passado e futuro – uma realidade indivisível e global.

Aleister Crowley

“Faz o que tu queres, há de ser tudo da lei. Todo homem é um indivíduo único e tem direito a viver como quiser”

A moral da HIPOCRISIA humana !

Refletindo sobre a moralidade que reina nas sociedades e suas constantes alterações com o tempo, só consigo chegar a uma única conclusão: a sociedade esconde suas hipocrisias atrás da máscara da moralidade. 
Quando voltamos em qualquer parte do tempo passado e construímos uma ponte comparativa com os dias atuais, notamos como os conceitos morais foram alterados; como as pessoas passaram a aceitar moralmente o que antes era tido como imoral. Alguns justificariam tais mudanças dizendo ser isto conseqüência da evolução humana, outros poderiam dizer que faz parte do amadurecimento da sociedade quebrar determinadas regras, enfim, sempre haveria uma “desculpa” para justificar tais alterações. Mas será que eu encontraria alguém que dissesse: “Isto é apenas uma nova maquiagem na velha máscara que cada um de nós carrega.”? 
Poderia aqui selecionar centenas, milhares de fatos que aconteceram no mundo e que, com o tempo, sofreram alterações no padrão do conceito moral de alguma forma. Mas não precisaria fazer tal coisa, uma vez que basta identificar um, percebendo-se, assim, a mesmice da essência em todos os outros. 
Você já ouviu falar de uma época em que a palavra de um homem valia mais do que qualquer documento assinado? Desonestidade era imoral. Mas como os tempos mudaram! Perceba o maldito “jeitinho brasileiro” e contemple as várias ações da nossa política nacional. Hoje não há tanta aversão a desonestidade; o conformismo naturalista se instaurou e a grande maioria das pessoas passaram a assistir a isto como algo normal e não como algo ofensivo, abusivo, ilegal, prejudicial... por fim... imoral. 
O catolicismo que, antes, associou-se, corretamente moral, com o nazismo, de Hitler, hoje faz discursos para que haja paz entre judeus e palestinos. As regras de conduta moral são estabelecidas através de Concílios, dogmas ou até mesmo um jornalzinho em que, moralmente, alteram a lista dos chamados pecados capitais. Mas e as questões como castidade e pobreza dos padres que contrasta com a riqueza bilionária da Igreja Romana; o homossexualismo e a pedofilia que acontecem atrás das sacristias, nas casas paroquiais ou em pequenas cidades na quais estes líderes religiosos são tidos como deuses? 
E por falar em pedofilia, lembra da época em que era moralmente correto colocar crianças nos filmes medíocres das pornochanchadas brasileiros? Pouquíssimo tempo depois uma das atrizes pornô da época e que contracenou em cenas de sexo com um garotinho foi elevada, moralmente, pela sociedade da época como a “Rainha dos Baixinhos” e se transformou na apresentadora infantil de maior sucesso no país até hoje. 
E o que dizer da sociedade atual que, moralmente, não admite que um adulto (ser humano maior que 18 anos) pratique sexo ou atos de atentado ao pudor com menores de idade (ser humano menor que 18 anos)? No entanto, as crianças de 11, 12, 13, 14 anos de idade agarram uma as outras com toda a veemência do início da puberdade e ainda são embaladas pelas músicas de funk, moralmente aprovada por seus pais e que só tratam de temas de conteúdo sexual no mais baixo nível. 
O protestantismo aceitou a moralidade de transformar seus líderes religiosos em deuses, em milionários, em bilionários, em assumirem a posição de “cabeça e não de cauda”, utilizando-se de deturpações do Evangelho para se posicionarem como seres moralmente melhores que os demais mortais da Terra. E bispos vão parar em prisões estrangeiras, deputados-pastores são denunciados por pistolagem, casas de milhões de dólares se erguem em tempo recorde a fim de abrigarem os desejos egocêntricos e tudo isso, e muito mais, é moralmente aceito por pessoas chamadas de “ovelhas”. 
E a imoralidade do homossexualismo de épocas atrás deu lugar a uma moral em forma de passeata, de festa com arco-íris e de toda sorte de desejos que, moralmente falando, vão adentrando TV´s, jornais, revistas, propagandas, seriados, filmes e todo tipo de meios de comunicação de massa. O imoral libertino é hoje o moralmente compreendido por uma sociedade que, de tempos em tempos, altera valores. 
E poderia aqui dizer dos conceitos morais de certos pais dados a seus filhos quanto a drogas, cigarros, bebidas e tantas outras coisas, mas que são realizados moralmente por eles mesmos numa educação ditatorial do tipo faça o que falo, mas não o que faço. 
E assim, como diria Renato Russo, “todos vão fingindo viver decentemente.” 
Enquanto as pessoas carregarem a moral como regra de conduta de vida, as sociedades permanecerão sendo hipócritas e as pessoas continuarão enganando a si próprias. 
  A conscientização sempre foi o melhor caminho. Valores que se estabelecem na vida e para a vida como lucidez de mente, onde sou sempre quem sou independente do lugar onde estou; onde não preciso esconder o que fui porque simplesmente “já fui”. Onde não é a moda ou algum programa idiota da TV que me passa informações sobre como devo vestir ou como me comportar. 
“A ignorância é vizinha da maldade”, já dizia um provérbio árabe, e assim a coletivização de mente é mais fácil de ser controlada. A inércia mental produz zumbis culturais e seres hipócritas que se escondem atrás da máscara da moralidade, que de tempos em tempos, arrumam a maquiagem com o simples propósito de mostrarem a face asquerosa de perversidades, de egoísmos, de vaidades, de presunções... com uma aparência mais bela e com um poder de persuasão maior. 
Sempre temos mais de uma opção para escolher, mas infelizmente a grande maioria escolhe a mais cômoda e não a mais conscientemente correta. Enquanto muitos adotarem a regra de não ser quem realmente é, a moral permanecerá sendo o caminho a ser seguido, o deus a ser adorado... e, de quando em quando, um demônio imoral será canonizado em santo moral e muito vão viver achando ser normal a normalidade moral da hipocrisia mental de cada um de nós..
ANOTAÇÃO ESQUECIDA

                                                       Cornélio Pires


Gastamos tempo contando

Os amigos imperfeitos

E esquecemos de anotar

Os nossos próprios defeitos.





                                        Médium: Francisco Cândido Xavier
                                         
Livro: Degraus da vida

FALA EM PAZ

                                                                                          Emmanuel

Justo lembrar: a voz humana está carregada de vibrações.

Esforça-te por evitar os gritos intempestivos e inoportunos.

Uma exclamação tonitroante equivale a uma pedrada mental.

Se alguém te dirige a palavra em tom muito alto, faze-lhe o obséquio de responder em tom mais baixo.

Os nervos dos outros são iguais aos teus: desequilibram-se facilmente.

Discussão sem proveito é desperdício de forças.

Não te digas sofrendo esgotamento e fadiga para poder lançar frases tempestuosas e ofensivas; aqueles que se encontram realmente cansados procuram repouso e silêncio.

Se te sentes à beira da irritação, estás doente e o doente exige remédio.

Barulho verbal apenas complica.

Pensa nisso: a tua voz é o teu retrato sonoro.

NAS CRISES

Estarás talvez diante de algum problema que te parece positivamente insolúvel.

Não acredites que a fuga te possa auxiliar.

Pensa nas reservas de força que jazem dentro de ti e aceita as dificuldades como se apresentem.

Não abandones a tua possibilidade de trabalhar e continua fiel aos próprios deveres.

Assume as responsabilidades que te dizem respeito.

Evita comentar os aspectos negativos da provação que atravesses.

Ora – mas ora com sinceridade – pedindo a proteção de Deus em favor de todas as pessoas

envolvidas no assunto que te preocupa, sejam elas quem sejam.

Se existem ofensores no campo das inquietações em que, porventura, te vejas, perdoa

e esquece qualquer tipo de agressão de que hajas sido objeto.

Esforça-te por estabelecer a tranqüilidade em tuas áreas de ação, sem considerar sacrifícios

pessoais que serão sempre pequenos, por maiores te pareçam, na hipótese de serem realmente o preço da paz de que necessitas.

Se nenhuma iniciativa de tua parte é capaz de resolver o problema em foco, nunca recorras à violência, mas sim continua trabalhando e entrega-te a Deus.



CALMA - FRANCISCO CÂNDIDO XAVIER (EMMANUEL)

domingo, 10 de outubro de 2010

Observemos

                        Emmanuel
           


Não te detenhas no poder aquisitivo do ouro terrestre para fazer o bem.

Anota a riqueza dos teus conhecimentos e não menosprezes o companheiro ainda enleado no espinheiro da ignorância.

Considera o tesouro da fé que te enriquece o entendimento e aprende a desculpar o irmão em dificuldade que talvez se encontre no precipício da negação.

Medite sobre a luz que te brilha na compreensão e não reproves o infeliz que ainda tateia nas trevas.

Analisa o patrimônio de amor que te vivifica a existência e auxilia as vítimas do ódio que não souberam edificar para si mesmas senão o reduto do sofrimento.

Examina tuas conquistas de segurança pessoal e não passes de largo, à frente dos caídos em desânimo ou desesperação.

Relaciona os valores da saúde que te consolidam o relativo equilíbrio na Terra e não perca a serenidade e a paciência com os enfermos que te reclamam devotamento e carinho.

Mentaliza a riqueza de tuas horas, de tuas palavras, de teus movimentos livres.

Reflete no acervo de bênçãos amontoadas em teus olhos que vêm, em teus ouvidos que ouvem, em teus pés que andam e em tuas mãos que trabalham.

Quem será mais rico de verdadeira felicidade, o homem que agoniza sobre um monte de ouro ou aquele que pode respirar os perfumes do vale, entre a paz do trabalho e a misericórdia da luz?



Não admitas que a caridade seja tarefa exclusiva dos que acumularam o dinheiro do mundo. Ao invés disso, compadece-te do irmão que se faz sovina, aferrolhando o próprio coração, entre as duras paredes de um cofre forte.

Recordemos o Divino Doador de Vida Imperecível.

Cristo, sem monumentalizar o amor em obras de metal ou de pedra, com um simples berço de palha e com uma cruz de sacrifício a lhe emoldurarem o ministério de fraternidade, espalhou a beleza e a paz, o otimismo e a compreensão em todos os escaninhos do mundo, a benefício de todas as gerações.

Em matéria de auxiliar, dividamos a nossa própria alma, na prestação do serviço infatigável da boa vontade para com todos.

E, com semelhante investimento, estejamos convencidos de que toda a penúria do nosso passado não nos subtrairá o tesouro de bênçãos que acumularemos, nos altos caminhos da vida, a brilhar perenemente em nosso grande futuro.






DINHEIRO (Francisco Cândido Xavier – por Emmanuel)
MEDITEMOS

                                      Cornélio Pires




Ninguém pode imaginar,

Seja em cidade ou roça,

Quantas vidas são precisas

Para sustento da nossa.


31 de janeiro de 1996


   Médium: Francisco Cândido Xavier

   Livro: Degraus da vida

Degraus da vida !

RECEITA

                                                 Cornélio Pires



Quem quiser paz e saúde

Cultive afetos normais,

Coma pouco e pense muito

E não converse demais.




4 de fevereiro de 1996



                             Médium: Francisco Cândido Xavier

                              Livro: Degraus da vida