Memória é faculdade de reter idéias, impressões e conhecimentos adquiridos anteriormente. Lembrança, reminiscência, recordação.” Embora o conceito de memória não seja tão complexo quanto o de ‘tempo’, oferece também dificuldades quanto ao seu perfeito entendimento. Vejamos o que disse o filósofo Platão, há mais de dois mil anos:
“Sendo a alma imortal e tendo nascido muitas vezes e tendo visto tudo quanto existe... conhece tudo; não é admiração alguma que ele tenha condições de trazer de volta à lembrança tudo quanto já soube acerca da virtude e de tudo. (Platão)”
Na verdade é isto que ocorre: nossos arquivos mentais (as nossas memórias) são exageradamente vastos, há neles um dossiê completo para cada uma de nossas vidas. Ali estão, perfeitamente arrumados, classificados e a disposição do ser humano; todas as suas vivências, do suspiro ou sorriso até as agonias da mais terrível tragédia.
Uma das funções mais importantes da mente é a de esquecer, não esquecer em definitivo, e sim guardar fora da memória consciente todo o material que não está sendo interessante reter no momento. Até mesmo nas memórias da vida presente algumas não conseguimos nos lembrar a não ser por meio da hipnose (ou outro método semelhante).
Existem dois tipos de patologias envolvendo a memória, uma onde a pessoa não consegue lembrar do que aconteceu minutos atrás, e outra onde a pessoa mantém uma espécie de memória fotográfica de tudo que se passou com ele durante toda a sua vida. Esta última aparentemente parece ser uma vantagem, mas na realidade torna-se uma maldição porque causa uma sobrecarga nas funções cerebrais e não consegue-se viver de uma maneira tranqüila e feliz, nem tão pouco utiliza outros aspectos não mnemônicos como a arte e outras inteligências, as chamadas inteligências emocionais.
Um problema real que não podemos ignorar é a possibilidade de se implantar memórias falsas na mente de uma pessoa, através da hipnose. Isso levou a que a polícia americana se precavesse quanto a utilização da hipnose (mesmo sem transe profundo) para a obtenção de confissões de crimes ou como identificação de suspeitos. Isso aconteceu devido a algumas condenações baseadas em lembranças recuperadas sob hipnose e que depois se mostraram falsas.
Por esse motivo, nas seções de RM devem ser evitadas ao máximo sugestões que levem o sujeito à criar personagens e fatos fictícios. Muito embora nos transes mais ou menos profundos o sujeito rejeita as sugestões que estão em desacordo com as lembranças e reafirmam o que realmente estão “vendo” ou sentindo. Em todo caso, não convém introduzir fatores de erros nas pesquisas de RM.
Conclusão
Diante desse quadro, nada há de surpreendente no fato de que se empregando a técnica apropriada seja possível não apenas sincronizar com aquela realidade da memória chamada da memória que chamamos passado, como a outra realidade do tempo que chamamos futuro. De alguma forma, portanto é possível encontrar nas estruturas do tempo brechas cósmicas por onde os sensores da mente aprofundam-se na intimidade de nossos registros inconscientes e reproduzem sons, imagens e emoções de um passado esquecido, mas não destruído, da mesma forma que a metodologia da hipnose pode rebuscar os registros da vida atual no âmbito da subconsciência e do inconsciente. O esquecimento é conveniente, contido por certos condicionamentos, mas não absoluto e total.Tempo e Memória são dois conceitos fundamentais da técnica de regressão de memória, embora encontremos também referências de natureza espacial.
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